Associados
Associação Atlântica de Apoio ao Doente Machado-Joseph
Associação Coração Amarelo
Associação de Apoio aos Traumatizados Crânio-Encefálicos e suas Famílias - Novamente
Associação de Doentes com Lúpus
Associação de Mulheres Contra a Violência
Associação de Pais e Amigos de Portadores do Sindroma de Rubinstein-Taybi (APART)
Associação de Retinopatia de Portugal
Associação dos Consumidores da Região Açores
Associação Grupo de Apoio SOS Hepatites
Associação Nacional Contra a Fibromialgia e Síndroma da Fadiga Crónica - Myos
Associação Nacional das Crianças e Jovens Transplantados ou com Doenças Hepáticas - Hepaturix
Associação Nacional das Farmácias
Associação Nacional de Enfermeiros Promotores do Envelhecimento Saudável - ANEPES
Associação Nacional dos Doentes com Artrites e Reumatismos na Infância - ANDAI
Associação para a Promoção da Segurança Infantil - APSI
Associação Portuguesa da Doença Inflamatória do Intestino, Colite Ulcerosa e Doença de Crohn - APDI
Associação Portuguesa da Psoríase
Associação Portuguesa das Doenças do Lisosoma
Associação Portuguesa de Apoio à Mulher com Cancro da Mama - APAMCM
Associação Portuguesa de Asmáticos
Associação Portuguesa de Doentes da Próstata
Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson – APDPk
Associação Portuguesa de Familiares e Amigos de Doentes de Alzheimer
Associação Portuguesa de Fertilidade
Associação Portuguesa de Sindrome de Asperger
Associação Portuguesa de Solidariedade Mãos Unidas Padre Damião
Associação Portuguesa dos Enfermeiros de Reabilitação
Fundação do Gil
Fundação Portuguesa de Cardiologia
Fundação Portuguesa do Pulmão
Fundação Professor Fernando de Pádua
Fundação Realizar um Desejo
Instituto de Apoio à Criança
Instituto Nacional de Cardiologia Preventiva
Laço - Laço Associação de Solidariedade Social
Liga Portuguesa Contra a SIDA
Liga Portuguesa Contra as Doenças Reumáticas
Liga Portuguesa Contra o Cancro
RESPIRA – Associação Portuguesa de Pessoas com DPOC e outras Doenças Respiratórias Crónicas
Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla - SPEM
União Geral de Consumidores

Dia Mundial da Saúde 2015: Promova alimentos seguros

A Organização Mundial de Saúde (OMS) escolheu para as comemorações do Dia Mundial da Saúde deste ano (7 DE Abril) uma nova campanha de sensibilização sobre a segurança alimentar em nossas casas. A OMS argumenta que os alimentos inseguros, insalubres e até falsificados estão relacionados com a morte de dois milhões de pessoas por ano. São alimentos com bactérias, vírus, parasitas ou substâncias químicas nocivas que estão na origem de duzentas doenças, que vão desde a diarreia até ao cancro.

A globalização incessante da comercialização dos alimentos justifica a necessidade de reforçar todos os sistemas que velam pela inocuidade de todos os alimentos em todos os países. Para as comemorações deste ano, a OMS retoma as cinco chaves para a inocuidade dos alimentos: manter a limpeza pessoal, das áreas onde se trabalha e proteger os alimentos das fontes de contaminação; evitar a todo o transe as contaminações cruzadas, cozinhando completamente os alimentos e mantendo-os a temperaturas apropriadas; estar vigilante quanto à qualidade da água com que se confeciona os alimentos.

Entre o material distribuído gratuitamente consta o manual com as cinco chaves para a segurança alimentar, base da nossa saúde. Indica-se o link que dá acesso a esses materiais (http://www.who.int/campaigns/world-health-day/2015/event/en/).

Workshop “Doenças crónicas e um envelhecer mais saudável” | Haia, 12-13 Fevereiro, 2015

Um membro da Direção da Plataforma participou no workshop “Doenças crónicas e um envelhecer mais saudável”, promovido pela DG SANTE, com o objetivo de se dar conhecimento dos projetos de saúde pública do já concluído segundo programa da Saúde (2008-2013). Como se prevê para breve o anúncio de candidaturas a que podem concorrer organizações doentes, interessava-nos conhecer os projetos anteriores e as respetivas virtualidades para uma eventual mobilização de organizações que constituem a Plataforma.

Em diferentes painéis e durante dia e meio, houve oportunidade de discorrer sobre temas que a todos interessa: quadro das principais doenças crónicas da atualidade e os seus impactos socioeconómicos e numa perspetiva do estilo de vida saudáveis; investigações em curso associadas a processos e sistemas inovadores que visam a prevenção da fragilidade, a eficiência dos cuidados de saúde, a preparação para a reforma e a vigilância das doenças não comunicadas; empoderamento dos seniores na gestão das doenças crónicas; perspetivas atuais da multimorbilidade, respetiva multidisciplinaridade, em associação com a polifarmácia.

Considera-se haver um inegável sucesso da maioria destes projetos e apelou-se a que os responsáveis pelas investigações deem mais atenção às opiniões das associações de doentes.

Em breve, a Direção da Plataforma apreciará os termos e modos de sensibilizar as nossas organizações para eventuais candidaturas, cuja abertura está no horizonte.

Toda a documentação recebida antes e durante o workshop pode ser consultada pelos interessados, pelo que se recomenda um contacto com o secretariado exectutivo.

II Conferência do Ciclo "A Saúde e o Doente" | 19 Março, Porto

A segunda edição do ciclo de Conferências "A Saúde e o Direito" irá decorrer no próximo dia 19 de Março no Auditório da Associação Nacional das Farmácias (ANF), Delegação Norte, no Porto.

Novamente, trata-se de uma parceria entre a Plataforma Saúde em Diálogo e o Centro de Direito Biomédico da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, sendo desta feita sob o tema "A Família e o Doente Crónico"

Consulte o Programa (clique aqui) e preencha o boletim de inscrição (clique aqui).

Ciclo de Conferências "A SAÚDE E O DIREITO"

A primeira do ciclo de Conferências "A Saúde e o Direito" teve lugar no passado dia 28 de Janeiro no Auditório da Associação Nacional das Farmácias (ANF), em Lisboa.

Trata-se de uma parceria entre a Plataforma Saúde em Diálogo e o Centro de Direito Biomédico da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.

Sob o tema "Os Direitos dos Doentes", esta I Conferência contou com um conjunto de convidados de grande qualidade e conhecimento técnico. Conto ainda com a moderação do Prof. Doutor Guilherme de Oliveira, académico que desde os anos 80 se dedica à Saúde na perspectiva jurídica, tendo em muito contribuído para o reconhecimento da importância de aproximar os profissionais da Saúde e do Direito e de dar a conhecer os Direitos aos Doentes.

Um painel de excelência que contou com a presença do Dr. Mário Beja Santos em representação da Plataforma Saúde em Diálogo, do Prof. Doutor André Dias Pereira que desenvolveu o tema do  consentimento informado realçando a forma como este conceito tem sido interpretado pelos Tribunais, sem esquecer a recente norma da DGS, do Mestre João Vaz Rodrigues que abordou o tema da recusa de tratamento, seu enquadramento e relevância.

Na segunda parte desta conferência, diversos doentes e membros de associações de doentes,  profissionais de saúde e juristas, puderam ouvir a Dr.ª Filomena Girão sobre a Defesa dos Direitos do Doente em Tribunal, realçando a constatação de que cada vez mais as pessoas vão a tribunal reivindicar os seus Direitos, nomeadamente pedindo indemnizações por violações da "legis artis" ou do dever de obter consentimento informado; a Dr.ª Carla Barbosa sobre o acesso à informação contida no processo clínico e ainda o Dr. Manuel Lopes Rocha que transpôs para a prática os novos desafios da "Nuvem" como utilidade para os dias de hoje.

Seguiu-se debate muito participado por oradores e público e foram adiantadas algumas conclusões sistematizadas pelo Professor Guilherme de Oliveira da seguinte forma:

"1. É preciso exercitar mais os direitos dos doentes, sem que isso afete a relação médico-doente;

2. As regras do consentimento informado respeitam a autonomia e a dignidade dos doentes, têm uma ampla consagração legal, mas sofrem grandes dificuldades de concretização no dia-a-dia das unidades de saúde;

3. As leis sobre proteção de dados pessoais não acompanharam a evolução social e técnica;

4. Verifica-se um desconhecimento enorme sobre os direitos dos doentes e os deveres das unidades de saúde quanto ao acesso dos doentes aos seus dados clínicos."

A II Conferência acontecerá na cidade do Porto, no próximo dia 19 de Março e será subordinada ao tema: "A Família e o Doente Crónico".

Plataforma Saúde em Diálogo está no Porto

Abriu o Espaço Saúde em Diálogo Norte! Foi um desafio lançado pela Delegação Norte da Associação Nacional das Farmácias que a Plataforma aceitou com entusiasmo. 

A abertura do Espaço e a realização da Conferência "Como controlar a Asma?", levaram alguns membros da Direcção da Platafomra Saúde em Diálogo ao Porto.

Nesta deslocação ao norte do País e no sentido de estreitar laços e de procurar e/ou potenciar eventuais sinergias e parcerias com algumas entidades sediadas na Cidade nos dias 21 e 22 de Janeiro, a Plataforma esteve reunida com a Entidade Reguladora de Saúde na presença do Dr. Jorge Simões, na Câmara Municipal do Porto com o Vereador da Acção Social, Dr. Manuel Pizarro, na Cáritas Diocesana do Porto com a Dra. Daniela Guimarães e ainda na Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos com a Dra. Maria de Lurdes Gandra.

Foi sempre evidenciado o percurso histórico e os motivos que levaram à criação da Plataforma Saúde em Diálogo, a importante definição de doença crónica, o estatuto de doente crónico e ainda o estatuto de cuidador. Igualmente, e de forma transversal, abordámos os problemas com que nos deparamos com na literacia e prevenção para a saúde por parte dos doentes, ou ainda a intenção e vontade de promover a educação para a saúde e estilos de vida saudável nos mais jovens, visto que são os maiores transmissores da "mensagem" para casa, junto das suas famílias.

De referir também que, ao longo das quatro audiências, foi feito sempre o paralelismo que pretendemos alcançar entre o que já foi feito no Espaço Saúde em Diálogo do Algarve e o que pretendemos fazer com o recém-aberto Espaço Saúde em Diálogo Norte. Espaço esse, aberto agora no Porto na sede da Delegação Norte da ANF, que pretende estar próximo de toda a região norte do país e não apenas da cidade do Porto.

Na audiência com a Entidade Reguladora de Saúde (ERS), de reter a total disponibilidade por parte do Dr. Jorge Simões  em utilizar a Plataforma, visto que está no terreno e em contacto permanente com os doentes, como uma ferramenta para evitar a discriminação no sector tendo em conta que a ERS assegura a responsabilidade estatutária de ser um dos principais prestadores de contas ao utente. 

De reter a vontade mútua que ficou assente, em plena Câmara Municipal do Porto, juntamente com o Vereador com o pelouro da Acção Social, Dr. Manuel Pizarro, de ser estabelecido de imediato uma parceria entre a Autarquia e a Plataforma à imagem do que já sucede em Faro. Ficou apalavrada a vontade mútua de realizar, tão breve quanto possível, uma Conferência com um tema a designar pela autarquia focado no Doente.

Como síntese do encontro na sede da Cáritas Diocesana do Porto, fica a informação do interesse da Dra. Daniela Guimarães em inserir a Plataforma Saúde em Diálogo no seu acompanhamento a idosos, com a colaboração de diversos voluntários, no Projecto "Lado a Lado". Ficou agendada nova reunião entre ambas as partes para Março, sendo que até à data será estudada a melhor forma da Plataforma criar uma ferramenta para auxiliar na promoção e educação para a saúde e estilos de vida saudável.

Da audiência na Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos, fica o registo da vontade da Secretária-Geral da Direcção, Dra. Maria de Lurdes Gandra em agendar uma Conferência relacionada com os doentes, no próprio espaço e instalações da Ordem dos Médicos no Porto, assim como a boa vontade para futuros estudos para a intervenção, regulação ou questões mais sensíveis como a medicação.

Relativamente à Conferência "Como controlar a Asma?", que contou com a presença da Presidente da Associação Portuguesa de Asmáticos (APA), D. Ana Maria Quintas, há que referir o elevado número de presentes ao longo da sessão, tendo o auditório registado uma moldura humana na casa das 170 pessoas. De salientar, ao longo dos dois dias de audiências, a presença constante da Presidente da APA que igualmente demonstrou vontade de colaborar na agilização de processos entre a Plataforma Saúde em Diálogo e as Associações e Entidades sediadas a norte do País, assim como com o Espaço Saúde em Diálogo do Norte aberto na delegação Norte da ANF.

 

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Que sistema de saúde é melhor para os portugueses?

Que sistema de saúde é melhor para os portugueses?

 

“Pela Sua Saúde”, por Pedro Pita Barros, Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2013, é um ensaio sobre o setor da saúde. É a visão de um economista, que escolheu uma direção bem precisa: uma visão dos princípios da organização do setor da saúde, para que o leitor melhor julgue as políticas propostas e as opções adotadas. O seu objetivo: “A intenção é ajudar a compreender os desafios existentes e as potenciais soluções, com especial destaque para o Serviço Nacional de Saúde como elemento central da saúde em Portugal. Uma obra que contempla a descrição da organização económica do SNS, tenta clarificar o que se entende por sustentabilidade financeira do SNS e os princípios e problemas no contato do cidadão com o SNS.

Passa em revista as principais entidades prestadores de saúde, o que está no SNS e fora dele. Chama a atenção para mitos e equívocos instalados, é um texto que não foge às dificuldades. E é pedagógico, como se exemplifica: “O princípio de igualdade de acesso à saúde implica uma desigualdade de acesso a cuidados de saúde quando há necessidades distintas. Por exemplo, um diabético deverá ter, por regra, um maior consumo de cuidados de saúde do que um cidadão comum sem qualquer doença crónica”.

Acerca do acesso a cuidados de saúde, o autor recorda que há opções diversas, que há cuidados de saúde sujeitos a uma maior procura e recorda que o próprio sistema de proteção contra o risco de despesa elevada em cuidados de saúde tem dentro de si forças que motivam um crescimento das despesas com saúde. Indo direto à polémica da sustentabilidade, questiona o que é que quer dizer exatamente sustentabilidade, que irão faltar profissionais de saúde, equipamentos, vai faltar dinheiro, no setor público para lhes pagar? A sustentabilidade habitualmente invocada tem cariz financeiro, é o aspeto financeiro que se subentende. E observa: “O problema da sustentabilidade financeira do SNS é em grande medida um problema associado ao crescimento económico do país e à disponibilidade em geral de fundos públicos (…) É preciso entender quais os elementos que contribuem para esse crescimento das despesas com saúde e a partir daí clarificar-se que tipo de atuação é desejável e que agentes deverão ser envolvidos”. Ora, são vários os fatores de pressão sobre a sustentabilidade financeira do SNS: a inovação tecnológica, o crescimento do rendimento médio, o envelhecimento da população e o crescimento dos preços dos cuidados de saúde, qualquer deles tem que ser ponderado, dotado de maior eficácia e eficiência, organizar-se melhor o SNS. O autor fala do aparecimento das unidades de saúde familiares, tiveram na sua origem a ambição de conseguir estruturas de saúde mais próximas do cidadão. Mas a longo prazo a sustentabilidade financeira do SNS depende diretamente da adoção de estilos de vida que gerem uma melhor saúde para a população. Resta saber o que se irá planear em termos de educação e promoção para a saúde para aliviar os recursos nas próximas décadas, direcionando-os para o que é elementar.

A organização e funcionamento do SNS é outra questão central para o autor, que passa em revista as principais soluções para reduzir a despesa do setor público com cuidados de saúde. O combate ao desperdício, escreve, é prioritário, bem como a revisão periódica de todos os contratos de prestação de serviços de entidades externas, por exemplo, punindo a ineficiência, rejeitando as duplicações tanto em recursos humanos como em equipamentos. Haverá igualmente de controlar a inovação tecnológica, já que esta é a mais importante fonte de crescimento das despesas de saúde. A lógica de apreciação é simples e severa: os benefícios adicionais de se usar a inovação tecnológica têm de compensar os custos adicionais que lhes estejam associados – é o que se designa por avaliação económica de tecnologias em saúde.

Inevitavelmente, os serviços das urgências são apreciados como, mais adiante a relação médico-doente. E finaliza: “A capacidade de reposta do sistema de saúde, em geral, e do SNS, em particular, é testada de modo especial em tempos de crise. Aliada a uma pressão de contenção de custos encontra-se uma sensibilidade social acrescida às dificuldades de acesso a cuidados de saúde. Há, ainda, uma alteração de problemas de saúde, ganhando maior peso os aspetos de saúde mental, com o aumento dos casos de depressão e suicídio”. Um pouco antes, voltar a enfatizar que se deve procurar garantir todos os cuidados de saúde prestados são efetivamente necessários, que regularmente deve haver controlo dos fatores institucionais para gerar uma procura excessiva de cuidados de saúde. Como reconhece o autor, as mudanças propostas pressupõem uma cidadania ativa e as discussões da saúde também precisam de uma intensa participação cívica. Não se pode iludir que o paradigma da saúde está acima da crise ou do desemprego, é um vetor da qualidade de vida, e como tal deve ser reconhecido por todos nós.

Pensar perder o peso que pesa

Pensar perder o peso que pesa

 

"Pensar Perder o Peso que Pesa, compreender para decidir", é o mais recente livro de Isabel do Carmo (Publicações Dom Quixote, 2013), conceituada especialista em obesidade e comportamento alimentar.

A obesidade, é sabido de todos, passou a ser encarada como uma epidemia global. Bem entendido, há a obesidade mórbida e algumas outras formas de massa gorda. O que interessa é que quanto mais peso maiores são os riscos para a nossa saúde. A autora começa por discretear sobre as formas de obesidade e como se apresentam os obesos neste mundo em que vivemos. E faz-nos refletir sobre certos resultados evidenciados pelas estatísticas: quanto mais instrução menos obesidade e quantas maiores dificuldades financeiras maior é a prevalência da obesidade em crianças e jovens. Refere o caso de Portugal, Espanha, Itália e Grécia em que um terço das crianças e jovens destes países estão profundamente afetados pela obesidade: "É uma das faturas que vamos pagar. Crianças obesas serão adultos obesos, com doenças associadas: diabetes, doenças cardiovasculares prematuras, doenças osteoarticulares. O país estará a pagar daqui a 50 anos este juro da dívida, que é económico e que é humano".

São múltiplas e complexas as causas do peso a mais e não se pode dizer que há uma causa única. Com humor, a endocrinologista questiona as razões deste peso a mais onde podem aparecer a gravidez, a resposta ao stresse, a chegada da menopausa, o deixar de fumar, a toma de medicamentos. E tratando sério o que é muito sério, comenta os mecanismos que levam a comer de mais, centrando-se na fisiologia, no nosso tecido gordo e como é que se pode chegar à doença, caso da diabetes e das doenças do foro cardiovascular. Sente-se o peso a mais nas articulações, nos pés, na coluna, mas também no refluxo gastro-esofágico.

Então que de regime saudável carecemos para prevenir a obesidade? O regime saudável é que aquele que tem nutrientes suficientes sob o ponto de vista da manutenção do corpo humano com a saúde. Esse regime carateriza-se por uma ingestão da quantidade energética (calórica) idêntica à despendida; ao consumo diário de cinco porções de fruta e ou vegetais; ao consumo de lacticínios, cereais integrais e sopa; à redução das gorduras animais e dos açucares; à preferência pelo padrão mediterrânico (metade do prato com vegetais, pequenas porções de carne, peixes ou ovos, feijão ou grão, arroz ou massa); 1,5 a 2 litros de água por dia, por exemplo.

E assim se chega aos pratos de substância da médica e que porventura muito interesse suscitarão ao leitor: as dietas para emagrecimento, os medicamentos para a obesidade, como mudar o comportamento e aderir a um regime alimentar saudável, qual o estado da arte da cirurgia no tratamento da obesidade.

O regime para perda de peso, insiste a autora, deve partir de uma ideia positiva e racional: a quantidade de energia ingerida deve ser menor do que a despendida. Não há milagres, nem dietas milagrosas que deem a volta a esta aritmética simples. E tece os seus comentários a uma dieta hipocalórica moderada, à dietas de baixo valor calórico, de muito baixo valor calórico, aos regimes especiais de emagrecimento, entre outras. Faz frequentemente chamadas de atenção a erros comuns praticados às vezes com a melhor das intenções. É o caso daqueles que aderem ao regime vegetariano e que comem habitualmente croquetes e rissóis de vegetais, chamuças, tartes e quiches de vegetais, descuram que se trata de fritos que alteram a carga calórica. Quem almoça fora de casa deve cuidar do que há na cantina, do que põe na lancheira e de como se deve comportar ao balcão.

Passando para os medicamentos, recorda-nos que os que estão destinados ao tratamento da obesidade estão associados a muitas espectativas, alguns êxitos e sucessivas suspensões. "Em anos passados, receitavam-se e foram muito consumidos medicamentos anorexisantes que eram estimulantes. Era o caso do Drenur. Foram todos retirados do mercado porque causavam aumento da frequência cardíaca, aumento da tensão arterial e dependência. Depois apareceu o Isoméride, que foi muito usado, mas em seguida retirado por risco de hipertensão pulmonar. Seguiu-se o Reductil, com largo uso e bons resultados, mas que foi retirado em 2010, também por causa de efeitos cardíacos. Apesar disso, há ainda doentes que adquirem esta substância (Sibutramina) através da internet. Devem ter precauções se tiverem doença coronária, insuficiência cardíaca congestiva, hipertensão não controlada. Também não deve ser acumulado com antidepressivos". E enuncia as diferentes famílias de medicamentos que podem ter efeito na obesidade. Tece depois críticas graúdas aos suplementos alimentares recordando que este poderoso lóbi conseguiu que a inspeção e aprovação de suplementos fique fora da área da saúde, e é assim que produtos muitas vezes desconhecidos se vendem em cápsulas, pastilhas, comprimidos, pílulas, prometendo ter efeitos seguros sobre obesidade, além de não terem a sua toxicidade é um perigo potencial para a saúde dos crédulos que os tomam.

Do maior interesse é o capítulo que a autora reserva à força de vontade e ao faseamento de um comportamento consciente e da construção de um plano bem estruturado que nos impeça retrocessos e falhanços duros de digerir.

Também com grande interesse é o capítulo reservado à cirurgia no tratamento da obesidade, à luz dos conhecimentos atuais. "Pensar Perder o Pesa que Pesa" fica na dianteira da bibliografia obrigatória de todo aquele que pretende perder o peso e quer fazê-lo de uma forma responsável, eficaz e duradoura.

Corpulência e obesidade: prevenção não é discriminação

Corpulência e obesidade: prevenção não é discriminação

 

A obesidade tem vindo a ser encarada como um dos problemas da saúde pública de maior dimensão: fala-se dela como epidemia, flagelo, a carga explosiva que pode vir a dinamitar a saúde para todos… A obesidade é assunto que põe uns contra os outros, indevidamente.

As políticas de prevenção, como é compreensível, dão-lhe relevo, tal como as indústrias. O que se vai procurar destacar é se não é possível lidar com a prevenção reduzindo as peças do armamento da discriminação. É verdade que sempre houve discriminação. A literatura encarrega-se de demonstrar que os miúdos na escola falam, desde há muito, dos gorduchos com epítetos cruéis: baleia, saco de batatas, peida gadocha… E há os preconceitos, a inextrincável associação entre os quilos a mais e a preguiça, a estupidez, a negligência, a sujidade. Em resumo, o gorducho faz parte da lista dos estigmatizados, tem uma posição inferior, alguém que está debaixo de água nas relações com os outros: na escola, no trabalho, nos cuidados de saúde e na vida em sociedade, sofre as consequências quando toma um seguro, quando viaja, quando procura vestuário e calçado; é ridicularizado nas relações sociais. Talvez valha a pena começar por aqui, pela construção de um ideal estético, a norma a que nos devemos conformar, em determinada época.

As propostas estéticas atuais têm a ver com o adelgaçamento, o corpo musculado, as formas físicas são ditadas pelo que vemos na publicidade e nas instâncias onde se organizam os cânones da beleza. O obeso, mesmo indiretamente, é tratado pelos órgãos de comunicação social como alguém que vive num puro dramatismo, por ele montado. Fala-se de obesidade e a linguagem é castigadora: epidemia galopante, números alarmantes, um pesado fardo para o orçamento da saúde e para a segurança social (reformas antecipadas, por exemplo). Veladamente ou não, insinua-se que a responsabilidade está sempre do lado do indivíduo devido aos seus comportamentos pautados por excesso alimentar e alimentação desequilibrada. A publicidade também dá a sua mãozinha, para melhor vender regimes e métodos que se apregoam como revolucionários para a perda de peso difundem mensagens que sugerem que a perda dos quilos a mais é uma coisa muito fácil e que o sucesso reside obrigatoriamente no esforço pessoal. E o obeso sofre todas estas pressões das indústrias agroalimentares, cosmética e farmacêutica, de cabeça baixa.

Aparentemente, as instituições de saúde jogam na neutralidade e pautam-se pelo rigor. Define-se o excesso de peso e a obesidade como uma acumulação normal ou excessiva de gordura corporal que pode prejudicar a saúde. Usasse um cálculo científico que é o Índice de Massa Corporal, ou seja a relação entre o peso e a altura ao quadrado. O que a prevenção oblitera é que existe uma multiplicidade de fatores que podem influenciar a nossa corpulência e que escapam ao controlo individual: o nosso ambiente, o isolamento, a predisposição genética e até os hábitos culturais. Não se atender a esta versatilidade de influências pode-se estar a contribuir para a rotulagem dos obesos como pessoas que sofrem de um desvio. Há investigadores que observam que a rotulagem social é dos impactos negativos das práticas de saúde pública, e no caso da obesidade é primordial que a prevenção atue sobre os fatores externos ao indivíduo, como é o caso das suas condições de vida e a morbilidade decorrente, por exemplo, da predisposição genética.

Na prevenção tem que aparecer como elemento incontornável a preocupação de que a estigmatização é suscetível de contribuir para a degradação da saúde da pessoa que se pretende apoiar, a discriminação tem efeitos de ricochete. Essa preocupação ajuda a agir sobre as representações sociais quanto à obesidade e sobre a compreensão da problemática em toda a sua complexidade. Tome-se como exemplo: o falar-se em epidemia da obesidade é uma escolha que acaba por apresentar o obeso como um doente potencialmente contagioso.

Dito por outras palavras, a prevenção deve procurar agir mediante uma visão mais global das causas do excesso de peso e da obesidade, de modo a que os recetores da mensagem ganhem uma maior compreensão da problemática e consigam resistir à estigmatização de quem tem excesso de peso ou é obeso. Na prevenção, temos que descobrir quais é que são os limites de modo a que a problemática do peso apareça sempre muitíssimo alargada e nada convidativa à discriminação. E assim a prevenção obterá resultados seguros junto de quem precisa.